Estudo aponta que música eletrônica pode melhorar foco e atenção, diz pesquisa da Universidade de Barcelona

Pesquisa publicada na New Scientist identificou que ritmos próximos de 99 BPM aumentaram a sincronização da atividade cerebral, favorecendo estados de concentração.

Quem costuma trabalhar, estudar ou produzir ouvindo música eletrônica pode ter um motivo científico para manter esse hábito. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Barcelona e divulgado pela revista New Scientistrevelou que determinados ritmos da música eletrônica podem melhorar os níveis de foco e atenção ao sincronizar a atividade cerebral com as batidas da música.

A pesquisa, liderada por Raquel Aparicio Terrés, analisou 19 voluntários com idades entre 18 e 22 anos. Durante os testes, os participantes ouviram faixas de psytrance, como “Endless Horizons”, de Dhamika, e “Mind Expander”, de Audiomatic, enquanto os cientistas monitoravam a atividade cerebral por meio de eletrodos. O objetivo era entender como o cérebro reage aos padrões rítmicos característicos da música eletrônica.

Os resultados mostraram um aumento significativo na sincronização entre as ondas cerebrais e o ritmo das músicas. O ponto mais interessante do estudo foi a identificação de uma frequência de sincronização de aproximadamente 1,65 Hz, equivalente a músicas em torno de 99 BPM. Segundo os pesquisadores, esse ritmo favoreceu um estado mental de maior concentração e atenção durante os experimentos.

Além do impacto no foco, os cientistas também sugerem que a música eletrônica pode influenciar outros processos cognitivos. De acordo com Aparicio Terrés, a sincronização entre música e cérebro pode alterar a percepção do tempo, modular emoções e até induzir diferentes estados de consciência. Esses efeitos reforçam o potencial da música como ferramenta para auxiliar atividades que exigem atenção sustentada, embora novas pesquisas ainda sejam necessárias para compreender como esses benefícios se aplicam a diferentes estilos musicais e perfis de ouvintes.

Nos últimos anos, a relação entre música e desempenho cognitivo tem despertado cada vez mais interesse da comunidade científica. Estudos vêm investigando como ritmo, repetição e frequência sonora influenciam funções como memória, criatividade e produtividade. A pesquisa da Universidade de Barcelona amplia esse debate ao indicar que a música eletrônica, frequentemente associada apenas ao entretenimento, também pode exercer efeitos positivos sobre o funcionamento do cérebro.

Embora os resultados sejam promissores, os próprios pesquisadores destacam que o estudo foi realizado com um grupo reduzido de participantes e representa um passo inicial para compreender melhor essa interação. Ainda assim, a descoberta reforça uma percepção comum entre muitos ouvintes: para algumas pessoas, a música eletrônica não apenas acompanha o trabalho ou os estudos, mas pode contribuir para um estado de concentração mais profundo.

Imagem: Magnific